quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Disco da Semana #13: Angra - "Aqua"


O Angra está de volta! E com “Aqua” vem buscar elementos de toda a discografia da banda, traços marcantes que moldaram sua identidade musical. Primeiro surge “Angels Cry” (1993) mais calcado no universo da música clássica e uma tímida influência de elementos brasileiros. Em seguida “Holy Land” (1996) onde esses elementos vem a tona para contar em um albúm conceitual um pouco da história do Brasil. “Fireworks” (1998) regressa aos primórdios do Heavy Metal tradicional com grandiosos toques orquestrais. Esse disco também marca o fim da formação clássica da banda com a saída de Andre Matos (V), Hugo Mariutti (Bx) e Ricardo Confessori (Bt). Em 2001 é lançado o aclamado “Rebirth” que além de um novo fôlego, é introduzido a nova formação com Edu Falaschi (V), Felipe Andreoli (Bx) e Aquiles Priester (Bt). É um disco que leva toda a bagagem musical iniciada desde “Angels Cry” até “Fireworks”. Com “Temple Of Shadows” (2004) um marco na discografia da banda, onde é explorado novos elementos e o lado mais técnico e virtuoso é gritado em todas as músicas, e é reconhecido por muitos como o melhor disco da banda. O lado mais progressivo e moderno é explorado em “Aurora Consurgens” (2006). Problemas pessoais e empresariais começam a surgir nos bastidores do Angra e que culminam na demissão do empresário da banda e na saída inesperada do baterista Aquiles Priester. Uma nuvem de incerteza surge no futuro da banda. 2009 marca o novo renascimento da banda com a volta do baterista Ricardo Confessori. Uma turnê de aquecimento é feita e que culmina no anúncio da gravação de um novo disco de inéditas em comemoração a esse novo fôlego dado á banda: “AQUA” é lançado em 11 de Agosto de 2010.
Esse é um disco conceitual baseado na considerada última peça escrita por Willian Shakespeare: "A Tempestade".


A tempestade é uma história de vingança, é uma história de amor, é uma história de conspirações oportunistas, e é uma história que contrapõe a figura disforme, selvagem, pesada dos instintos animais que habitam o homem à figura etérea, incorpórea, espiritualizada de altas aspirações humanas, como o desejo de liberdade e a lealdade grata e servil. Uma Ilha é habitada por Próspero, Duque de Milão, mago de amplos poderes, e sua filha Miranda, que para lá foram levados à força, num ato de traição política. Próspero tem a seu serviço Caliban, um escravo em terra, homem adulto e disforme, e Ariel, o espírito servil e assexuado que pode se metamorfosear em ar, água ou fogo. Os poderes eruditos e mágicos de Próspero e Ariel combinam-se e, depois de criar um naufrágio, Próspero coloca na Ilha seus desafetos (no intuito de levá-los à insanidade mental) e um príncipe, noivo em potencial para a filha. Se o amor acontece entre os dois jovens, se a vingança de Próspero é bem-sucedida, se Caliban modifica-se quando conhece os poderes inebriantes do vinho numa cena cômica com outros dois bêbados, tudo isso Shakespeare nos revela no enredo desta que por muitos é considerada sua obra-prima – uma história de dor e reconciliação.

O disco se inicia com o single Arising Thunder, é uma música rápida nos moldes de Nova Era. O foco principal é nas guitarras cheia de dobras, arpejos rápidos, dedilhados e solos empolgantes, com direito até uma passagem bem Iron Maiden aos 03:15. Tem um refrão que gruda bem na cabeça, com um Edu Falaschi se preocupando menos em cantar nas alturas e sim se focar na interpretação. A bateria de Ricardo é mais direta  e até contido, sem muitas viradas ou quebras de tempo mas que não compromete de você bangear um pouco.

Awake From Darkness, tem uma das melhores introduções brasileirísticas do Angra,com a bateria bem ritmada com influencias de baião acompanhada de um riff de guitarra bem interessante, que pega o ouvinte desprevinido. É uma clara influência da época do Holy Land, só que um toque mais moderno. Uma coisa da gravação desse disco é que o baixo está bem na cara, onde ouvimos a pegada furiosa de Felipe Andreoli. Uma música nervosa e com muito gingado, com direito a interlúdio de piano no meio da música. A melhor parte começa aos 02: 31. 

Lease Of Life diminue a velocidade do disco numa balada simples mas com melodias bem trabalhadas onde o ápice da emoção chega aos 03:28. The Rage Of The Waters volta num ritmo acelerado, com um riff e um andamento bem parecido com Nothing To Say. Aos 02:22 a parte progressiva vem mais a tona com o baixo comandando as variações dos riffs de guitarra. Spirit Of The Air, me lembra o Angra da fase Temple Of Shadows com um violão a moda espanhola como na música The Shadow Hunter, mas com um andamento mais parecido com Sprouts Of Time ou Morning Star. Uma música que carrega bastante emoção.

Hollow é uma música que depois de ser ouvida poderia muito bem entrar no tracklist do Aurora Consurgens, é uma música densa e leva tempo pra ser digerida. Acho que apartir daqui o Angra começa a inserir elementos novos na composição, com uma proposta simples e técnica ao mesmo tempo. A Monster In Her Eyes até muito comentada por sua intro possuir melodias da música Rebirth com Abandoned Fate. Edu dá um show de interpretação nessa canção cheia de emoção. Weakness Of A Man uma faixa bem acústica com seus momentos a la Andy McKee. Aos 02:56 temos um instrumental bem trabalhado, com um desfile de belos solos. E um refrão que se tocado ao vivo será cantado por todos os fãs. Ashes tem aquele clima bem Visions Prelude até Lasting Child, com passagens inspiradas nas suítes de Chopin. E com direito a "carry on!" entoado no final com emoção.

AQUA é uma bela homenagem ao que o Angra nesses 19 anos tem  composto canções que nos proporcionam aos nosso ouvidos a exploração da música seja brasileira, seja clássica ou qualquer estilo em cima do heavy metal. Que sim, dá pra evoluir sempre.


01. Viderunt Te Aquæ
02. Arising Thunder
03. Awake From Darkness
04. Lease Of Life
05. The Rage Of The Waters
06. Spirit Of The Air
07. Hollow
08. Monster In Her Eyes
09. Weakness Of A Man
10. Ashes

Reações:

1 comentários:

Willian disse...

cof cof... baixado na net... cof cof... mp3... cof cof... pirata

Zuando. Eu achei o estilo bem mais tetatral mesmo. Um pegada mais de boa, mas nada que tire a essência da banda, diferente do que eu ouvi no CD do Iron. Seu post foi ótimo, conseguiu traduzir o que eu achava do CD do Angra!

Carry On Man! o/